Você não precisa de um Blog

Conquiste relevância online indo além do SEO.

Você não precisa de um blog. Mas aqui estou eu escrevendo isso dentro de um. Contraditório? Nem tanto. Blogs são espaços importantes, flexíveis e cheios de personalidade, capazes de atingir diferentes públicos, porém temos que admitir:

Blogs não são obrigatórios.

Eles não são uma estratégia imprescindível para todos os criadores de conteúdo. Também não são a única forma de ser encontrado na web, nem tampouco representam sempre o melhor modelo para conquistar novos clientes e seguidores.

Sem esquecer da importância do copywriting, blogs só fazem sentido para uma parcela específica dos criadores digitais. É preciso ponderar antes de iniciar um projeto nesta linha, ou ele acabará como tantos outros, abandonado no cemitério digital dos blogs frustrados.

600 milhões de blogs

Essa é a quantidade estimada de blogs ativos na web hoje de acordo com o relatório da Growth Badger 2021.

São quase 7 milhões de postagens por dia e cerca de 5 mil posts por minuto em todo o mundo. Isso nos dá uma dimensão do tamanho da universo dos blogs e da sua relevância dentro das estratégias de marketing de conteúdo.

Segundo o mesmo relatório, pelo menos 85% dos criadores digitais acreditam que o blog é peça essencial de suas estratégias de comunicação digital. No caso dos sites empresariais, 96% dos entrevistados disseram que pretendem melhorar ou aumentar o investimento em blogs nos próximos anos.

Por outro lado, redes sociais como Instagram e canais de nicho como Substack e Revue crescem exponencialmente e atraem cada vez mais marcas e clientes em busca de conteúdo de qualidade.

Os blogs não estão, ao contrário do que se diz, morrendo. Pelo contrário, estamos vendo um crescimento significativo do setor e de um interesse crescente pelo modelo site + blog.

Mas toda regra tem sua exceção.

O grande número de blogs gera um problema difícil de resolver: o blog burnout.

SEO e Blog Burnout

O grande problema dos blogs é que eles se tornaram em boa parte massificados pelo uso excessivo de regras de redação que buscam apenas boas posições no ranking do Google – deixando de lado a empatia com o leitor.

Estamos falando de copywriting de má qualidade.

Já faz um bom tempo que blogs dentro do mesmo nicho se comunicam de modo muito parecido. Isso acontece dada a demanda frenética por mais e mais posts, mais e mais conteúdo.

Num contexto onde todo mundo diz a mesma coisa, ninguém de fato diz nada. E eis que surge o conceito que chamo de blog burnout.

Assim como a síndrome de burnout, onde uma pessoa sucumbe os impactos de uma rotina de trabalho estressante, o usuário da web também está diante de uma crise de cansaço diante de tanto conteúdo – uma verdadeira estafa mental causada pelo excesso de informação e pela repetição de fórmulas de SEO nos mais diversos blogs.

Isso é justamente o oposto da comunicação digital. Criar para a web não deve ser repetitivo, cansativo ou algo que visa apenas mais cliques. A regra básica da comunicação ainda é a soberania do conteúdo sobre qualquer fórmula. The content is king.

Ter um Blog ou não: eis a questão

Essa nem sempre é uma decisão simples. Vejamos algumas situações onde a criação de um blog não é parte obrigatória de uma estratégia web de sucesso…

Um blog pode não ser necessário se você é:

Um(a) criador(a) social

Se a sua criatividade flui na direção das redes sociais, talvez um blog se torne difícil de manter a longo prazo. Experimente espaços como o Instagram (forte apelo visual), Facebook Pages (forte apelo comunitário), Twitter (forte apelo informativo) e sinta como o seu conteúdo se comporta.

Um(a) comunicador(a) visual

Artistas plásticos, performers, designers e fotógrafos podem sim ter ótimos blogs visuais, mas isso geralmente pode ser melhor resolvido com a criação de um bom site no modelo portfólio. Criadores visuais podem se beneficiar também de espaços com forte apelo visual como Tumblr ou Dribbble.

Criador(a) musical ou sonoro

Músicos, DJs e artistas experimentais nem sempre se adaptam bem ao modelo textual do blog por motivos óbvios. Para isso existem ótimas plataformas como o Patreon, SoundCloud, MixCloud ou Youtube, claro. Quando utilizadas de forma inteligente e estratégica podem trazer ótimos resultdos.

Escritor(a) fora dos padrões  

Autores, redatores, poetas, cronistas, pesquisadores e acadêmicos podem não se ajustar dentro do modelo blog. Neste caso, vale experimentar misturar conteúdo textual com diferentes meios digitais. Poesia no Instagram, experimentações gráficas no Ready Magazine, criação hipertextual e pesquisas no Notion (aliás, já conhece o meu novo projeto no Notion?). As possibilidades são infinitas.

Vendedor(a) objetivo(a)

Se o seu produto, serviço ou projeto é simples e direto, não fique dando voltas criando conteúdo para blog quando poderia estar simplesmente vendendo. Startups que participam do movimento Lean são um bom exemplo de estratégia direto ao alvo.  

Você simplesmente não gosta ou prefere não criar para blogs

Blogs criados apenas para encher espaço irão causar uma péssima impressão em sua presença digital. Se você sente que não gostaria de dedicar o seu tempo a criar um Blog, tudo bem. A internet é repleta de outros modelos e espaços de comunicação incríveis e com uma boa consultoria você poderá encontrar o seu caminho.

Sobreviver num mar de SEO sem blog – o caso da culinarista Helena

Vamos entender uma coisa: embora o Google seja incrivelmente relevante para o marketing digital, nem tudo gira em torno dele.

Estou falando de nicho e da ideia de ‘cauda longa’.

A cauda longa é um livro publicado em 2006 pelo físico americano Chris Anderson. O termo saiu de moda com a chegada do marketing digital e os influenciadores digitais transformaram tudo o que era cauda longa em nicho.

Vamos entender melhor:

Segundo Anderson, a calda longa é a fatia de mercado com baixa venda imediata, mas com constante procura ao longo do tempo. São artigos ou mesmo temas com pouca demanda agora, mas que sempre vendem “um pouquinho por muito tempo”, ao contrário de artigos que vendem “muito de uma vez só”.

A cauda longa é a parte em vermelho dentro de um gráfico de vendas.” — Neil Patel.

E o que isso tem a ver com ter ou não um blog?

A lógica da cauda longa é a mesma de redes off-blog ou que não dependem tanto de SEO para florescer.

Nem todo mundo precisa aparecer na primeira página do Google. Alguns se dão muito bem criando conteúdo para a cauda da internet.

Imagine quantos criadores digitais possuem audiências pequenas e incrivelmente fieis que compram seus produtos e ideias porque acreditam, não porque o Google diz “compre”.

Estamos falando em criar redes longe do pico da popularidade imediata e mais direcionadas para a confiança de longo prazo. Ninguém pode manter grandes acessos por muito tempo, não sem perder a qualidade do conteúdo, sendo assim, muitos criadores preferem modelos menos populares, mas mais bem inseridos dentro de nichos.

Nichos são fatias de público mais e mais específico. Vamos ver uma estratégia simples, baseada no meu trabalho como criadora de sites e copywriter.

Helena não precisa de um blog

Helena é culinarista. Possui um excelente site com copywriting ajustado ao seu perfil profissional: comida saudável.

Tudo vai bem, até que Helena descobre que deve criar um blog com receitas e dicas. No começo flui com clareza, mas Helena gasta muito tempo na cozinha e sentar-se diariamente para alimentar o seu blog não é uma possibilidade.

Em nossa consultoria analiso o caso de Helena e descubro alguns pontos sensíveis:

  1. Seu site é excelente, mas a proposta do seu blog é ampla demais. Comida saudável para quem? Com quais ingredientes? Para que tipo de família? Solteiros se alimentam diferentemente dos casados. Casais sem filhos têm rotinas distintas das famílias com filhos.
  2. O blog é um ótimo canal para suas ideias, mas demanda muito tempo. A criação de conteúdo se torna, para Helena, num sério problema logístico.
  3. Helena depende do Google e de regras rígidas de SEO para encontrar seus letores e potenciais clientes, afinal, culinária é um dos termos mais disputados nas palavras-chave do Google.

Conteúdo, cauda longa e nicho

Embora esteja acostumada ao ponto de suas caldas (doces e salgadas), a cauda longa é um mistério para Helena.

O primeiro passo é tirá-la da zona “extremamente competitiva e barulhenta” da web. O conteúdo do blog é convertido em base para outro tipo de material informativo. Assim, Helena deixa de vender apenas “comida saudável” para divulgar algo para um nicho que ela entende bem:

Comida saudável para casais com uma ou duas crianças.

Parece muito específico? Vejamos:

Casais com filhos pequenos enfrentam muitas vezes o dilema de ter que cozinhar dois menus diários: um para eles, outro para o miúdo. E se fosse possível criar um cardápio flexível que pudesse alimentar tanto aos pais quanto o(s) filho(s)?

Helena cria então menus nutritivos que se tornam, em poucos passos, também papinhas ou mini refeições ideais para crianças. Repare:

  • Comida saudável = conteúdo curto (ou, na analogia da cauda longa, conteúdo de cabeça, não de cauda), muita procura, muito interesse e muita competição.
  • Comida saudável para casais com um filho pequeno ou dois = cauda longa, atinge um público de nicho que deverá acompanhar o seu trabalho por um bom tempo – ou pelo menos até o miúdo virar adolescente.

Dentro de um nicho, resta agora saber: como Helena irá encontrar seus leitores e potenciais clientes na internet?

Um dos caminhos é entender onde os casais com um filho pequeno ou dois estão. Eles podem não ler blogs, pois não têm esse tempo todo, mas consomem conteúdo sobre alimentação saudável através do Instagram.

A estratégia de Helena passa a ser registrar fotos e vídeos curtos de suas receitas, adicionar uma legenda breve e direcionar toda a sua estratégia de venda para essa rede social.

Em algum momento os seguidores poderão sentir falta de um contato mais próximo com a Helena, para isso ela cria uma newsletter mensal com receitas e dicas. E, claro, envia nos e-mails o link para a compra do seu eBook e das suas aulas ao vivo.

Helena, definitivamente, não precisa de um blog. Ela continua precisando de um site (onde hospeda sua newsletter, loja virtual para compra dos seus livros e sua agenda para consultorias e workshops), mas sua energia flui muito bem até o cliente através de outras vias. Vale reparar que, mesmo que o blog se foque num nicho, isso não impede que Helena apresente e preste serviços para outros nichos. Mas isso é conversa para outro artigo.

Conclusão

A internet é um ambiente cheio de possibilidades. Ter um blog pode ser uma boa ou má estratégia – tudo depende do seu perfil, da sua mensagem e de seu posicionamento diante do seu público-alvo.

Através dos conceitos de nicho e criação de conteúdo de cauda longa, fica mais fácil entender os mecanismos do marketing digital e investir em modelos mais dinâmicos.

Caso desejes ir mais a fundo nesta questão, marca uma chamada para que possamos dar esse importante passo juntos(as).

1 thought on “Você não precisa de um Blog”

  1. Creio que ter uma janela digital hoje em dia, é imprescindível para quem quer partilhar com o mundo à sua volta uma mensagem, seja com um blog ou sem um blog. Parabéns pela análise sobre blogs e influência digital.

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