Personal Branding: Guia completo para desenvolveres a tua marca pessoal

A pandemia acelerou muitos processos relacionados ao trabalho e aos ambientes digitais. O home office deu um salto, a gestão do tempo agora é uma necessidade e as marcas pessoais exponenciaram ainda mais o mercado criativo.

O personal branding não é coisa nova. O marketing 4.0 já previa um mercado digital onde as marcas seriam mais humanas e sociais. Estamos falando cada vez mais de sentimentos e valores e não apenas produtos e serviços.

É muito fácil confundir uma marca pessoal com um modelo de marketing 4.0, por isso resolvi criar este pequeno guia, para que você possa desenvolver seu próprio branding sem cair em erros comuns.

É bom saber, desde já, que marcas pessoais são um modelo distinto de comunicação. Elas contam uma história específica, de uma pessoa de verdade dentro de um meio social delimitado e com propósitos únicos.

Lembre-se: marcas empresariais podem ser parecidas entre si, marcas pessoais não.

Ao criar uma marca pessoal, sua presença online precisa ser ativa e você precisa trabalhar para construir um conceito que ressoe positivamente contigo e com o teu público-alvo.

Vamos, então, conhecer algumas das boas práticas para um personal branding digital de qualidade que gera valor e impacto.

Crie a declaração da tua Marca Pessoal

A declaração de marca é um bom começo para entender os valores que você irá defender. Mas é mais do que isso, é um exercício de alinhamento de rota.

Com ele poderás definir, não apenas o seu campo de atuação (produtos e serviços), mas o modo como você irá se comunicar com o seu público.

Pense nos seguintes termos:

  • O que faço?
  • Como faço?
  • Para quem faço?
  • Qual meu diferencial em relação a outros profissionais?
  • O que drena minha energia (AKA “não quero fazer isso de jeito nenhum”)?
  • Quais os valores fundamentais do que eu faço?
  • Como posso mudar a vida de quem cruza o meu caminho com o que faço?

Essa é a hora de criar um Brand Book, ou, como prefiro chamar, um Manual de Comunicação, com as diretrizes da tua marca, incluindo cores, fontes, forma de escrita, público-alvo e demais assets para uma comunicação clara e eficiente.

Aprenda desde já: você não vai agradar todo mundo

“Muitas pessoas perdem o foco quando se trata de mídia e cobertura de marketing, tentando ser” tudo para todos. Decida qual é a sua mensagem principal e cumpra-a”.

A frase é de Cooper Harris, fundadora da Klickly, uma das marcas mais respeitadas quando falamos de empresas pessoais de sucesso.

Embora a Klickly seja hoje uma marca “tradicional” em seu formato, sua fundação e posicionamento foram baseados nos gostos e valores de sua criadora, que iniciou o negócio de venda de artigos de estilo de modo completamente intimista e artesanal.

Marcas pessoais são ancoradas em opiniões e opiniões são excludentes – não podemos, nem devemos, idealmente, ter sempre opiniões neutras.

Ao dizer o que pensa você irá separar seu público em dois grupos: os que compreendem e compartilham dos seus valores e os que não. Isso faz parte do jogo, os movimentos de aprovação ou desaprovação online são normais e nem tudo o que fizeres será sempre aceito sem críticas pelos seguidores e possíveis clientes.

E, fugir disso não é solução, marcas pessoais incrivelmente neutras ou que tentam atingir todos os nichos naufragam diante do caos comunicativo. Por isso, busque compreender o seu público-alvo, observe melhor o nicho onde você irá atuar, ouça o que têm a lhe dizer e mantenha uma posição sólida e cortês.

Exponha sua marca em meios digitais alternativos

O primeiro caminho para desenvolver e representar a tua marca pessoal no digital pode ser o habitual: criar um site, blog e/ou um perfil em rede social, mas mantenha sua mente aberta: o caminho inicial nem sempre é o caminho ideal.

Um site será sempre a melhor representação da tua marca, o conteúdo será o reflexo do teu conhecimento e visão, e as redes sociais mostrarão a forma como te relacionas.

Clica aui para fazeres um check-up da tua presença digital.

Enfim, ao invés de criar e manter um Blog, por que não criar um perfil no Medium e publicar textos mais esporádicos?

E, por que não considerar se a tua mensagem não faz mais sentido em uma rede menos popular? Sim, existe muita vida inteligente fora do eixo Facebook/Instagram.

As plataformas sociais de nicho estão vivendo sua renascença virtual, com usuários migrando para espaços com menos ruído e mais qualidade de conteúdo. Vejamos alguns exemplos:

Mantenha-se na rota e celebre

Pequenas conquistas importam. Ao criar uma marca pessoal é comum considerarmos como padrão apenas os modelos de sucesso de grandes empresas ou de profissionais de referência da nossa área.

O sucesso é sempre subjetivo. Não há um padrão universal e todos os pequenos avanços que merecem ser celebrados.

Defina seus checkpoints para se manter motivado em seguir na direção certa. Eis algumas questões que pode utilizar mensalmente ou trimestralmente:

  • Quantos contatos obtive através da exposição do meu trabalho em redes sociais? E através do envio da minha newsletter?
  • Quantos novos seguidores, quantos novos assinantes?
  • Qual texto gerou mais comentários e interação?
  • Houve alguma nova menção, convite para projetos ou entrevistas?

Enfim, comemore seus avanços e aprenda com os erros.

Dica importante: podes criar um pequeno workbook de análise própria, com uma lista de questões sobre todos os indicadores de sucesso que tu consideras relevante. Se quiseres receber gratuitamente o workbook que disponibilizo aos meus clientes, basta enviares um email que terei todo gosto em disponilibizar para ti que estás a ler este artigo.

Confie no seu fator pessoal (ou, descubra o seu PPI)

Uma marca pessoal só faz sentido se for desenvolvida sobre os conceitos peculiares de sua personalidade.

Ela não deve ser uma empresa em forma de pessoa, mas uma pessoa que mostra de modo profissional algumas as suas qualidades, mas sem jamais deixar de ser uma pessoa.

Existe um elemento que nos faz olhar para um produto diferenciado e dizer “uau”. Quando falamos de marcas pessoais, chamo este elemento de “Ponto de personalidade e interesse” ou PPI.

A definição desse elemento está sempre ligada a um interesse genuíno que temos em determinada personalidade expressa dentro da marca.

O Ponto de Personalidade e Interesse pode conter:

  • Um traço da tua personalidade que se conecta com o que fazes
  • Um fato da tua história pessoal que eleva ainda mais o que você faz.
  • Um modo ou método que só tu sabes fazer acontecer.
  • Um nível de conhecimento ou experiência acima dos demais.

Escolha bem os teus favoritos

Marcas pessoais não são ilhas. Não confunda criar sozinho com criar isoladamente. Para realizar bem o teu trabalho, precisarás de bons contatos e referências.

A regra é simples: cerque-se dos seus favoritos. Copywriters, designers, revisores, diagramadores, contadores, profissionais de marketing ou qualquer tipo de apoio para elevar o que já fazes de melhor.

Ao criar um ecossistema de parceiros confiáveis, a tua marca pessoal se torna mais e mais coerente e segura.

Seja claro(a) sobre que tipo de pessoa ilumina o melhor de ti e com quem gostas de colaborar e fazer grandes coisas. Essa é a hora de dizer não para os projetos e propostas que não sejam coerentes com tua visão de mundo.

Uma marca pessoal é também o resultado das tuas conexões.

Ao se unir com profissionais que não compartilhem dos mesmos valores estarás perdendo um pouco da tua essência.

Seja consistente

Por falar em valores, ser consistente com seus valores é o que lhe dará autenticidade e o fará sair na frente dos outros.

Sem consistência a tua marca será apenas um campo de testes e experimentações sem rumo. Sem consistência, os teus potenciais clientes fugirão a toda velocidade.

Consistência nem sempre é um conceito claro, por isso confie nesta fórmula que uso quando as coisas parecem nebulosas:

Consistência = Dedicação + Confiança + Autenticidade.

Esse é um círculo virtuoso de primeira grandeza.

Quanto mais te dedicas à tua marca, mais confiante te tornas. Maior confiança faz nascer a autenticidade e a percepção de que tua marca é única e especial.

E quanto mais autêntica a tua marca se torna, mais consistente ela é, ou seja, mais sólida, robusta e resistente a incertezas.

E quanto mais consistente, mais dedicação ela demandará de você – e o ciclo se inicia mais uma vez.

Consistência também pode ser traduzida por “estar sempre presente”.

Muitos criadores comentem o erro fatal de acreditar que suas marcas irão andar sozinhas, com as próprias pernas. Mas a verdade é que marcas pessoais andam com as pernas de quem as representa, parece óbvio, mas vale a menção.

Se não apareceres com regularidade para manter sua marca online ela irá murchar e sumir.

Isso significa te comprometeres com as rotinas de trabalho. Significa se dedicar a responder emails, mensagens, atualizar suas redes sociais e manter seu blog ativo.

Ser consistente significa também se comprometer com o tipo de conteúdo que você publica e ser respeitoso com o público que confia no teu trabalho.

Não se esqueça da tua marca no mundo real

Quando falo da importância de trazer sua marca do virtual para o mundo real, estou chegando a um ponto especial: as pessoas simplesmente confiam mais em marcas que mudam coisas reais de modo objetivo.

Isso mostra que és capaz de atingir outros espaços para além da internet. Significa que sua marca pessoal é também um elemento de criação dentro da sociedade, que a tua marca e marketing digital atuam junto de pessoas reais, com problemas reais.

Quando os dois conceitos, virtual e real, encontram um ponto de equilíbrio, a marca se torna incrivelmente poderosa.

Vou deixar aqui uma lista de ações que ajudam a fortalecer sua marca pessoal fora do digital:

  • Participe de eventos, feiras, cursos e oficinas da tua área.
  • Agende entrevistas e sessões com profissionais que são referências para ti. Converse, peça opinião, exponha-se, mantenha a curiosidade.
  • Crie produtos físicos que estimulem a interação física (cadernos, canecas, camisetas) e faça um giveaway.
  • Ajude um projeto social local durante o teu tempo livre.
  • Colabore com algum criador em formação e exerça a tua autoridade enquanto fortalece o trabalho de outra pessoa.
  • Inicie um grupo de debate ou mesmo um clube de leitura sobre temas relacionados com a tua marca pessoal.

Em resumo

Espero que com este guia o desenvolvimento da tua marca pessoal no digital se torne mais simples e proveitoso. Como vimos aqui, o personal branding é um universo cheio de possibilidades.

Uma marca pessoal deverá ser sempre única, estratégica e capaz de se comunicar claramente com o seu público-alvo.

Não existe caminho fácil: tudo depende de planejar, testar, corrigir e aprimorar. O fundamental é se manter consistente em relação ao teu propósito e celebrar as pequenas vitórias.

Ainda com dúvidas sobre a tua marca pessoal? Precisando de ajuda com a tua comunicação digital? Vamos fazer acontecer, escreve-me.

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